Eutanásia x Ortotanásia.

Os Jogos Olímpicos do RJ marcarão de vez a vida de uma atleta paraolímpica: Marieke Vervoort.

Belga, 37 anos, detentora de duas medalhas olímpicas, disputará as provas de 100 e 400 metros.

A atleta tem a metade inferior do corpo paralisado, visão reduzida em 20% e praticamente não dorme após uma disputa, em razão das dores causadas pela sua doença degenerativa.

Marieke afirmou para a imprensa que estes serão seus últimos Jogos e, que já assinou documento que autoriza médico a aplicá-la injeção letal quando desejar.

Declarou a belga: “Quando quiser posso pegar meus documentos e dizer é o suficiente! Quero morrer. Isso me tranquiliza quando tenho muita dor. Não quero viver como um vegetal. As pessoas sempre me veem sorrindo e praticando esportes, mas não o que acontece quando estou em casa”.

A Bélgica é o país no mundo com as leis mais permissivas sobre a Eutanásia. Para assinar o documento, a atleta precisou convencer um psiquiatra de que sua decisão não se devia a um estado de espírito momentâneo, além de provar a três médicos diferentes que as dores que sente são insuportáveis, além de não existir qualquer esperança de melhora no futuro.

O procedimento que a belga deseja se submeter no futuro, é proibido no Brasil. A eutanásia é tipificada como crime no Código Penal Brasileiro.

No entanto, existem decisões que autorizam a chamada ORTOTANÁSIA, deixando de lado a esfera penal para adentrar no cível.

Também conhecido como “testamento vital” ou “direito a uma morte digna”, trata-se de manifestação de vontade prévia de não prolongar a vida.

A pessoa declara hoje, que caso venha a desenvolver uma doença irreversível no futuro, que comprometa sua capacidade física e mental, ela não será submetida a procedimentos que mantenham sua vida de forma artificial, como por exemplo a utilização aparelhos de respiração, lhe permitindo que a morte ocorra de forma natural.

A diferença entre os dois temas é muito sutil para que tenham tratamento tão diferenciado, um ilegal e outro permitido. Fica a reflexão e a informação sobre ambos institutos tão pouco difundidos.